Criado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), o Prêmio Abigraf de Responsabilidade Socioambiental teve sua primeira edição realizada em 5 de junho de 2009, Dia Mundial do Meio Ambiente. A cerimônia de entrega dos troféus aconteceu no Centro Sociocultural da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, em evento que contou com a presença de cerca de 200 pessoas. O certame teve como primeiros vencedores as empresas gráficas Tekne, de Porto Alegre (RS), e ABNote, que conta com nove unidades fabris instaladas no Brasil.
Com o projeto “Imprimindo com consciência e ações ambientais”, a Tekne conquistou o Troféu Abigraf de Responsabilidade Ambiental “Orlando Villas Boas”. O trabalho da empresa engloba todas as ações desenvolvidas para minimizar os impactos de sua atividade produtiva. A Tekne adota diversos métodos e processos visando reduzir, reutilizar, reciclar, recuperar energia e água e dispor em aterro sanitário industrial classe I ou em outro destino correto.
Vencedora do Troféu Abigraf de Responsabilidade Social “Hasso Weiszflog”, com o case “Políticas e Práticas: Cidadania Empresarial”, a ABNote demonstrou seu comprometimento com o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, uma vez que atua nas comunidades situadas próximas as suas unidades operacionais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. A empresa mantém uma política de valorização do ser humano, por meio de ações que propõem o equilíbrio entre trabalho, saúde e família, e investe na formação continuada de seus colaboradores e das comunidades em que está inserida.
Histórico
O Prêmio Abigraf de Responsabilidade Socioambiental será promovido anualmente pela Abigraf Nacional, atendendo ao objetivo de estimular práticas corretas nas áreas social e ambiental, no âmbito de toda a indústria gráfica brasileira e também no contexto da sociedade.
Para fins de inscrições de casos, a categoria “Responsabilidade Social” leva em conta intervenções externas das empresas gráficas, nos campos educacional, cultural, esportivo, de inclusão social, iniciação profissional, participação em campanhas comunitária ou qualquer outra ação/conjunto de ações, voltadas àcomunidade.
Na categoria de “Responsabilidade Ambiental” podem se inscrever as empresas que tenham implementado ações, tecnologias, métodos e processos ambientalmente corretos. Dentre estes podem ser citados os processos de reciclagem; utilização de papel e insumos menos poluentes; tratamento e destinação de resíduos; utilização racional e reutilização de água; economia de energia; e soluções globais para mitigar o impacto ambiental. Podem ser inscritas uma ou mais soluções, ou mesmo um conjunto de medidas.
Todas as empresas gráficas brasileiras, associadas ou não à Abigraf, de acordo com as determinações do regulamento, podem participar da premiação. Cada uma delas com apenas um caso em cada categoria.
A primeira edição do certamente recebeu inscrições de 22 cases de empresas do segmento, que representaram cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul).
Os trabalhos concorrentes na categoria “Responsabilidade Social” foram os seguintes: “Coleta seletiva de lixo”, da Abril (SP); “Responsabilidade Social”, da ABNote (SP); “Projeto Casa do Papai Noel”, da Holografica (RJ); “Incentivo Profissional e Educacional a Menores Aprendizes”, da Intergraf (SP); “Capoeira para Crescer”, da Krim (RS); “Conscientizar e Educar”, da Mack Color (SP); e “Ações de Responsabilidade Social”, da Plural (SP).
Na categoria de “Responsabilidade Ambiental”, os trabalhos inscritos foram os seguintes: “Programas Socioambientais 2009”, da ABNote (SP); “Melhoria da Eficiência Energética da Caldeira”, da Abril (SP); “Bandeja para Carne Pão de Açúcar”, da Antilhas (SP); “Plante a Primavera”, da Dinâmica Gráfica (SP); “Destruição de Compostos Orgânicos Voláteis”, da Ediouro (RJ); “Projeto Sustentabilidade”, da Emibra (SP); “Uma Declaração de Paz com a Natureza”, da Graphoset (RS); “Programas de Gestão Ambiental em A Notícia”, do Grupo RBS (SC); “Redução do Consumo de Água no Processo de Utilização das Chapas de Impressão”, da Intergraf (SP); “Avaliação Ambiental”, da Log&Print (SP); “Ações de Responsabilidade Ambiental”, da Plural (SP); “Projeto Carbono Zero”, da Posigraf (PR); “Gestão Ambiental”, da Stilgraf (SP); “Imprimindo com Consciência e Ações Ambientais”, da Tekne (RS); e “Verde Amanhã - Hoje é Você Quem Faz”, da Jayme Sholna (RJ).
Cada uma das categorias em que se divide o certame – Responsabilidade Social e Responsabilidade Ambiental – conta com um corpo de jurados específico, constituído por profissionais e especialistas de reconhecida capacidade. Na primeira edição, o julgamento dos casos apresentados pelas gráficas foi realizado de 23 de abril a 11 de maio de 2009, no auditório da Escola Senai Theobaldo De Nigris, em São Paulo. O grupo avaliador dos trabalhos de “Responsabilidade Ambiental” foi composto por seis jurados: o diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Wellington Braz C. Delitti; o diretor da Fractalis – Renovação Empresarial, Homero Luís Santo; o presidente do Conselho Diretivo da ABTG, Silvio Roberto Isola; o diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris, Manoel Manteigas; a técnica de ensino da Escola Senai Theobaldo de Nigris, Giselen Cristina Pascotto Wittmann; e a consultora técnica Márcia M. Biaggio.
No segmento social, cinco profissionais foram incumbidos da avaliação: o jornalista Heródoto Barbeiro; o ex-presidente da Abigraf Nacional, Max Schrappe; o diretor da BC Control Auditoria & Consultoria, Marcel Almeida, que desde 2000 trabalha com iniciativas em Responsabilidade Social; a diretora geral do colégio Visconde de Porto Seguro, Mariana Battaglia; e a Maria Celina Cattini, vice-diretora geral da mesma instituição, além do diretor do Senai Theobaldo De Nigris, Manoel Manteigas.
Homenagens
Os troféus entregues pelo Prêmio Abigraf de Responsabilidade Socioambiental receberam o nome de dois brasileiros que deixaram registradas na história do País suas trajetórias de pioneirismo e empenho na realização de ações que visaram à melhoria das populações em comunidades com as quais conviveram, em suas respectivas área de atuação.
Hasso Alfried Weiszflog
Hasso Alfried Weiszflog (1910-1993), que dá nome ao Troféu Abigraf de Responsabilidade Social, nasceu, em uma família voltada para atividades florestais, papeleiras, editoriais e livreiras, Hasso Alfried Weiszflog fez honra à tradição. Desde jovem, estagiou em vários setores da empresa familiar, a Companhia Melhoramentos. Começou sua etapa diretiva aprofundando, na Alemanha, o domínio de tecnologias do papel e da impressão. Dando mostras de empenho e ousadia, atuou como operário, por nove meses, em fábricas de papel, de celulose e de corantes gráficos.
Dominando os assuntos de interesse da Melhoramentos, foi convocado a participar de entidades e eventos próprios daquelas áreas, tanto no País como no exterior. Neste sentido, fez-se referencial no “episódio da MPV”, quando a máquina de produzir papel, última geração em 1939, não foi embarcada em sua íntegra para o Brasil, em razão da proibição das exportações da Alemanha, que mergulhara na Segunda Guerra Mundial. Diante disso, Hasso decidiu: - “vou buscar o que falta!”. Voltou com as peças um ano mais tarde.
O momento levou-o a uma séria definição: “O Brasil tem que produzir a celulose de que precisa”. Conduziu o plano, gerou recursos, administrou experiências. Em setembro de 1946, o País teria sua primeira celulose branqueada, própria para papel de escrever.
E não foi somente no campo produtivo, que sua dedicação se fez notar. Os cuidados com a natureza e a tecnologia industrial só foram inferiores aos dispensados aos colaboradores. São várias as iniciativas, como a outorga do Descanso Semanal Remunerado, em 1948, antecipando em um ano e meio a lei federal que concedeu o benefício. A Companhia, por iniciativa dele, teve o primeiro restaurante de fábrica, cujo cardápio, escolhido pelos usuários, era supervisionado por nutricionistas.
Nas situações dramáticas apresentava disposição batalhadora, como em 1950, quando a gráfica foi vitimada por grave incêndio. Ante o problema, afirmou: “o fogo nos estimulou! Aguardem os números do ano”. Em 1951 veio o anúncio: a gráfica imprimira cerca de 100 títulos de livros, totalizando 3.100.000 exemplares – um recorde – e produzira uma novidade: cadernos com espiral.
Entre 1956 e 1961, Hasso comandou reestruturação geral da empresa sob o lema “tudo mais – tudo melhor: mais celulose, mais papel, mais artefatos, mais livros”. Como reflexo, modernizou a gráfica e o trabalho nas florestas – local em que a modernização foi de tal ordem que escolas de silvicultura nacionais e de países das Américas Latina e Central, compuseram o quadro de um programa de estágios.
Do trabalho na Companhia surgiu a Cidade Melhoramentos, que contou com mais 1.000 residências e de dois mil habitantes. A região foi intensamente povoada, dando origem a Caieiras. A todo o movimento de crescimento do município e deslocamento da Cidade Melhoramentos para nova localidade, Hasso Weiszflog deu importância e atenção.
Hasso deixou a Melhoramentos depois de ter sido gerente, superintendente, diretor e membro do Conselho de Administração, em abril de 1982, por ter atingido a idade estatutariamente limite: 72 anos.
Orlando Villas-Bôas
Personalidade homenageada com a escolha de seu nome para o Troféu Abigraf de Responsabilidade Ambiental, Orlando Villas-Bôas (1914-2002) nasceu no interior de São Paulo. Filho mais velho dos fazendeiros Agnello e Arlinda foi criança travessa, chegando à juventude com o mesmo espírito expansivo.
Antes de tornar-se humanista reconhecido, trabalhou em um escritório de advocacia e no serviço militar, sendo expulso por indisciplina: só obedecia "às ordens que julgava certas". Em 1943, ele e os irmãos Claudio e Leonardo decidiram inscrever-se para a expedição Roncador-Xingu, criada pelo governo federal de Getúlio Dorneles Vargas. O projeto objetivava desbravar áreas do Centro-Oeste e da Amazônia. Mais tarde, Álvaro, o mais novo dos irmãos, se dedicaria à mesma causa.
Para que pudesse participar da diligência, provocou sua demissão da multinacional do petróleo, a Esso. Numa época, em que a consciência ecológica era praticamente inexistente, os Villas-Bôas fizeram sua escolha pela preservação ecológica. E se, no início, não se considerava que a região estaria habitada por índios, ao constatar o fato dedicaram a vida a estas comunidades. Crítico da influência do homem branco, Orlando destacava que 400 anos depois do início da colonização européia, cada uma das tribos assentadas às margens do rio Xingu mantinha sua cultura e identidade.
Com a colaboração dos irmãos, únicos brasileiros indicados duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz – em 1971 e em 1976 –, a expedição mudou de objetivo. Em lugar do desbravamento sem critérios adotou-se o abraço, o respeito e a palavra. Orlando falava com os olhos; reflexo da admiração pelo Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que instituiu política protecionista ao índio. O sertanista participou do primeiro contato com várias tribos, mantendo em mente as lições do Marechal: "morrer se for preciso, matar nunca".
Não demorou para que os irmãos assumissem a liderança da Expedição, acelerando os trabalhos: concluíram a primeira etapa, que compreendia o trecho Rio das Mortes - Alto Xingu; e deram início à segunda, que abrangia o intervalo Xingu - Serra do Cachimbo – Tapajós. No roteiro, ficaram campos de pouso, alguns (Aragarças, Xavantina, Xingu, Cachimbo, e Jacareacanga) transformados em bases militares e/ou pontos de apoio de rotas aéreas. Vinte e quatro anos após seu início haviam sido abertos mais de 1.500 quilômetros de picadas, explorados mais de mil quilômetros de rios, estabelecidos marcos de coordenadas e criadas 35 novas cidades.
As experiências levaram o indigenista, com a participação do antropólogo Darcy Ribeiro e do médico Noel Nutels, a propor a criação do Parque Indígena do Xingu, concretizado, em 1961, pelo presidente Jânio Quadros. Orlando Villas-Bôas foi seu primeiro presidente (1961-1967). Os 27 mil quilômetros quadrados de extensão do Parque abrigam, hoje, cerca de 5.500 índios de 16 etnias.
Aposentado em 1978, Orlando continuou atuando como assessor da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) até 2000. Ele escreveu livros, correu o mundo, ganhou prêmios. Falava sete idiomas e quatro dialetos. Quando faleceu, aos 88 anos, era o último remanescente da Expedição Roncador-Xingu.
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