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Um Gráfico Ilustre:
HERMAN ZUPAN
Em 1948 chegou de barco a Buenos Aires, deixando atrás a Europa da pós-guerra, disposto a tentar sorte no sul do continente americano. Em quasi um ano da sua chegada abriu a sua primeira oficina gráfica própria. Em 1958 decidiu-se especializar na impressão das embalagens de cartolina. Hoje ele preside um grupo industrial líder, no qual, junto com a produção das embalagens flexíveis, se dedica à fabricação de cartolina e também tem plantações florestais. Na sua trajetória recebeu muitos galardões, tanto nacionais como internacionais.
Assim ele transmite à sua exemplar experiência de vida: |
- Senhor Zupan, ¿o que pode nós contar da sua chegada à Argentina e dos seus começos na atividade gráfica?
D. Herman Zupan: A primeira etapa foi quando a minha mãe Paula Ales e o meu pai Herman tivemos que deixar o nosso lar na Ljublana, a capital da República da Eslovênia. Ali nasci em dezembro de 1924. Em quanto acabou à segunda guerra mundial, com a vinda do regime comunista, como a maioria do povo esloveno tivemos que emigrar. Primeiro ficamos em Austria e logo a gente se mudou para a Itália. Lá eu me capacitei na atividade gráfica. Eram tempos difíceis na Europa e com uns amigos decidimos tentar sorte em América. Tivemos a oportunidade de viajar de barco para a cidade de Buenos Aires e cheguei aqui em 1948.
Pascei por varias oficinas gráficas e tanto insisti que me deram emprego numa imprensa. Trabalhei lá pouco tempo, não mais de um ano, e logo consegui abrir minha própria oficina, bem pequena. Foi a minha primeira empresa e, aproveitando as condições do mercado da época, cresceu consideravelmente.
- ¿Quais fatos importantes você destacaria daqueles primeiros anos?
D.Herman Zupan: - O mais importante tem a ver com a minha vida pessoal. O 21 de maio de 1950 me casei com Julieta Prebil, minha companheira desde aquela época, com quem formamos nossa família com três filhos: Maria Magdalena, Hernán e Alejandra.
Acredito que a família foi o principal impulso para tomar a decisão que acabou sendo a pedra fundamental para o meu crescimento industrial.
Embora eu já fosse dono de um pequeno estabelecimento gráfico, o qual trabalhava muito bem, decidi, assumindo todo o risco empresário, me especializar e dedicar como única atividade na fabricação das embalagens de cartolina. Aquilo significou deixar de lado todos os outros trabalhos, atitude desconhecida naquela época na indústria gráfica argentina.
- ¿Como se desenvolveu essa nova etapa?
D.Herman Zupan: - A especialização na fabricação de embalagens gerou uma maior eficiência produtiva, tanto no plano tecnológico como no desenvolvimento dos recursos humanos. Assim foi como no ano de 1960 chegamos a processar 2000 toneladas de cartolina, com uma antiga impressora offset Planeta de uma só cor. A partir de 1962, fui incorporando sucessivamente equipamentos automáticos para a fabricação das embalagens. Sempre confiei no país, embora a união do momento, eu confiava em que trabalhava bem e por isso continuaria investindo. Para 1968 a minha empresa já era líder no setor das embalagens flexíveis, com uma capacidade de conversão de 6.000 toneladas de cartolina.
A crescente demanda das embalagens de cartolina e o incremento dos fregueses de grande porte obrigaram-me a ampliar a capacidade produtiva de todos os setores. Por isso, em 1972 comprei uma ampla extensão de terra, transformando-a no Parque Industrial “Los Pinos”. Desse jeito, dê para minha empresa a tranqüilidade para manter um crescimento contínuo por varias décadas.
Continuando com meu plano de expansão, decidi adquirir uma maquina, a 650 Bobst Lemanic, a primeira desse gênero no país, a qual imprimia em oca-gravura com corte e vinco em linha. Com essa maquina se começou no ano 1981 a fabricação no país, sob a licença norte-americana, das primeiras embalagens para líquidos.
- ¿Como se foi construindo o grupo Interpack S.A que hoje preside?
D. Herman Zupan: - Em quanto se incrementava o consumo da cartolina, acabou sendo evidente que o crescimento dependia, numa grande percentagem, da matéria-prima. Pelo qual em quanto se apresentou a oportunidade de adquirir uma planta papelera, formou-se o primeiro núcleo do atual grupo industrial, o qual estava integrado pela Herman Zupan S.A e a Papelera do Sul S.A.
O grupo se fortaleceu ainda mais com a aquisição da firma Flexíveis Argentinos, convertedora de material para embalagens flexíveis cuja produção rondava em quase 500 toneladas anuais. Na atualidade, Flexíveis Argentinos S.A, que é parte do Grupo Fleximat S.A (joint- venture com a família Matarazzo), esta hoje entre as empresas líderes do país com uma capacidade de conversão superior às 3.000 toneladas anuais.
Em 1984 concordamos um joint-venture com a Tetra Pak, e se criou a Norpack S.A (na atualidade Tetra Pak SRL) dedicada à fabricação das embalagens Tetra Brick e Carton Rex para os alimentos líquidos.
_ ¿Como descreveria o perfil atual do grupo?
D. Herman Zupan: - Falando brevemente apontaria que, na atualidade, as plantas de fabricação de embalagens de cartolina do Grupo Herman Zupan alcanzam a processar 35.000 toneladas de cartolina por ano, entre a Argentina, o Brasil e o Chile.
Outro dado relevante é que, em 1991, se fusionaram duas empresas principais do grupo: a Herman Zupan S.A e a Papelera do Sul S.A em a Interpack S.A , favorecendo assim a racionalização industrial e administrativa para obter uma maior eficiência e um serviço mais ágil para os seus fregueses.
- ¿ Sobre quais rubricas se da ênfase hoje nos investimentos?
D.Herman Zupan: - Em todos estes anos de crescimento, a empresa nunca perdeu de vista as três ideais fundamentais que a orientam desde o começo nos investimentos: a tecnologia de avançada para melhorar continuamente a qualidade do produto e o serviço ao consumidor, à capacitação do pessoal, o qual deve trabalhar dignamente num âmbito com a maior segurança possível, e também assumimos a responsabilidade pela conservação do meio ambiente.
Nessas três áreas se tem feito, e ainda se continuam fazendo, grandes investimentos. O projeto mais importante poderia ser àquele que esta se realizando na Papelera do Sul com fins ecológicos. O objetivo principal do mesmo é utilizar na fabricação da cartolina a maior percentagem possível de matéria-prima reciclada e manter com toda responsabilidade, as águas do rio Sauce Chico, que abastecem a sua linha de produção, tão cristalinas como sempre.
No mesmo sentido estão orientados também os investimentos nas grandes plantações de pinheiros e eucaliptos no estado de Entre Ríos, onde além da grande exploração continua aumentando a superfície coberta pelo manto das bem cuidadas florestas.
- ¿ Como tem sido à sua participação nas associações intermédias de representação setorial?
D. Herman Zupan: Acho que é uma atividade que todo empresário deveria assumir. Minha empresa é, já faz muitos anos membro ativo da FAIGA, primeiro através da CIGA (Sindicato de Empresas dos Industriais Gráficos da Argentina) e agora da UGAS ( União Gráfica Argentina setorial). Posso dizer, também, que eu fui um dos principais mentores do primeiro Congresso da Indústria Gráfica em América Latina no ano 1967, organizado pela CONLATINGRAF.
Na atualidade sou presidente do Sindicato de Empresas do Comércio Esloveno- Latino-americano. Em reconhecimento à minha trajetória nessa entidade, o governo da República da Eslovênia me concedeu o título de Cônsul Honorário em nosso país desde o 1993.
- Como empresário industrial gráfico ¿ que outros prêmios têm recebido?
D. Herman Zupan:- Em 1999,nos Estados Unidos de América, me distinguiram como o “ Homem do Ano da Indústria gráfica de América” ( America´s Man of the Year of the Printing Industry); e em 1993 fui escolhido o “ Homem do Packaging do Ano”, reconhecimento outorgado cada dois anos pela União dos Empresários do Packaging em Argentina. Em 1998 fui designado “ Convertedor das Americas”(Converter of the Americas), uma premiação que também me deram nos Estados Unidos através da CMM (Converting Manufacturing Machinery).
-¿ Qual seria à sua avaliação do caminho recorrido?
D. Herman Zupan: - Continuo tendo à mesma firme convicção sobre o que deveria de ser a empresa e é que não se pode aspirar a ter uma qualidade continua sem um pessoal altamente especializado, e motivado para isso. Por isso mesmo, se implementa em todos os estabelecimentos, centros de treinamento e capacitação para todos os níveis de pessoal. Também aplicamos rigorosos sistemas de controle de qualidade, tanto nos insumos como nos produtos já prontos.
Por último, embora a diversificação paulatina que a empresa que fundei teve, eu contínuo sendo leal à atividade que iniciou o caminho e a qual consagrei a minha vida profissional: a indústria da embalagem. |